A data de 26 de março de 1960 marcou o Vale do Jaguaribe no Ceará com o rompimento da barragem do açude Orós

Orós - Ceará — Foto: Drone Smart

Rompimento Açude Orós
Uma tragédia que marcou e transformou o Vale do Jaguaribe, no dia 26 de março de 1960, há exatos 65 anos, um estrondo rompeu o silêncio do sertão cearense.
A barragem do Açude Orós cedeu parcialmente, desencadeando uma enxurrada avassaladora que varreu a região do Vale do Jaguaribe, deixando um rastro de destruição e desalojando milhares de famílias.
O episódio se tornou um dos maiores desastres hídricos da história do Ceará, impactando gerações e moldando a construção de barragens por todo o País.
A construção do Açude Orós começou em 1958, representando uma grande esperança para os cearenses.
A ideia era represar as águas do Rio Jaguaribe e criar um dos maiores reservatórios do Nordeste, com capacidade para armazenar 2 bilhões de metros cúbicos de água.
A obra prometia transformar a relação do sertão com a seca, garantindo abastecimento para cidades e agricultores da região.
No entanto, em março de 1960, uma das maiores enchentes já registradas na região colocou a estrutura em xeque. Chuvas intensas elevaram rapidamente o nível do rio, pressionando a barragem ainda em construção.
O volume de água atingiu um patamar crítico, e a estrutura não resistiu. Dias antes do desastre, jornalistas e autoridades alertaram sobre o risco iminente. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) intensificou os avisos, pedindo que os moradores das áreas de risco evacuassem imediatamente.
Panfletos foram distribuídos, sirenes soaram e famílias inteiras abandonaram suas casas às pressas, temendo um desastre de proporções ainda maiores.
Então, às 10h da manhã do dia 26 de março, a barragem não resistiu à pressão e rompeu. A força das águas destruiu tudo em seu caminho, arrastando casas, plantações, criações de animais e deixando cidades inteiras em estado de calamidade.
A destruição foi instantânea, alterando drasticamente a paisagem da região e a vida dos moradores. Apesar da tragédia, um colapso total foi evitado graças à rápida ação da engenharia nacional.
Açude Juscelino Kubitschek
Técnicos do DNOCS e do Exército utilizaram dinamites para conter a propagação da ruptura, impedindo que toda a estrutura fosse completamente destruída. Essa manobra controlou a vazão da água, evitando um desastre ainda maior.A reconstrução do Açude Orós começou imediatamente e, no ano seguinte, em 1961, a obra foi finalizada e inaugurada sob o nome de Açude Juscelino Kubitschek, em homenagem ao então presidente da República.
Desde então, o reservatório se tornou um dos mais importantes do Ceará, desempenhando papel fundamental no abastecimento de água e no desenvolvimento agrícola do estado.
Seis décadas depois, o rompimento do Açude Orós permanece vivo na memória dos cearenses, não apenas como um lembrete da força da natureza, mas também da resiliência do povo sertanejo.
"A tragédia evidenciou a importância da engenharia hídrica e serviu como um marco na evolução das técnicas de construção de barragens no Brasil. O Açude Orós, que já foi palco de destruição, hoje representa segurança e esperança para milhares de pessoas. Seu rompimento marcou o Ceará, mas sua reconstrução demonstrou a capacidade do povo nordestino de se reerguer diante das adversidades.", disse o engenheiro civil, Alexandre Menezes.
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